terça-feira, 15 de maio de 2012

DESVIOS PERIGOSOS

Certo ferroviário de extinta Companhia de Estradas de Ferro, após muitos anos de trabalho, resolveu se aposentar, cabendo a ele ensinar suas tarefas ao seu substituto. No primeiro dia de treinamento, o futuro aposentado entregou ao funcionário contratado para substituí-lo um martelo, explicando-lhe que o seu serviço consistia em bater com o mesmo nas rodas dos trens que chegassem à estação. O novo contratado perguntou por que deveria assim proceder. O ferroviário, nervoso, respondeu-lhe irado: "Ora essa: há mais de trinta anos que eu venho fazendo isso todos os dias e ainda não sei, e você, que apenas acaba de chegar, já quer saber?"

(Logicamente, a pancada na roda era para verificar, através do som produzido, se ela estava trincada).

De maneira semelhante ao ferroviário, alguns médiuns e dirigentes de centros espíritas vêm assim procedendo: adotando práticas que são perigosos desvios doutrinários. Muito embora alguns deles sejam possuidores de ilibado caráter, são desconhecedores da Doutrina Espírita e incapazes de discernir o certo do errado. Acatam cegamente as determinações dos espíritos comunicantes, sem qualquer questionamento se elas são ou não condizentes com a Doutrina dos Espíritos.

Com o desencarne, o espírito não se torna sábio, nem santo ou demônio, de uma hora para outra, como pensam alguns. Ele continua sendo o mesmo que era antes, apenas mudando de dimensão, tendo a mesma personalidade, os mesmos sentimentos, as mesmas simpatias e antipatias, os mesmos conhecimentos e as mesmas necessidades, de acordo com o seu grau de evolução. Portanto, o espírito, ao se comunicar através do médium, transmite os conceitos que possui.

Por isso, é necessário estudar, analisar e passar pelo crivo da razão toda e qualquer orientação antes de levá-la a sério, verificando se ela não conflita com a Doutrina Espírita e nem a compromete. O espírito Erasto, discípulo de Paulo, recomenda que é preferível duvidarmos de nove verdades do que acreditarmos em uma única mentira. Os Espíritos Superiores não se ofendem quando questionados; ao contrário, eles se alegram com a nossa precaução doutrinária, ao passo que os espíritos inferiores, estes sim, se ofendem e se aborrecem.

A pretexto de atualização da Doutrina, quantas obras psicografadas por espíritos, com pareceres conflitantes com a Codificação Kardequiana, estão sendo editadas, gerando confusão entre os adeptos do Espiritismo! O que é mais lamentável ainda é que algumas dessas obras são recomendadas, e até mesmo adotadas, por dirigentes espíritas menos avisados, que, por ignorância, ingenuidade, ou mesmo por envolvimento obsessivo, se deixam conduzir, comprometendo sobremaneira o Cristianismo Redivivo! São bem oportunas as palavras do espírito Emmanuel, quando afirma:

"Compreendemos, com Allan Kardec, que, na Doutrina Espírita, foi pronunciada a primeira palavra, mas, em face do caráter progressivo dos seus postulados, ninguém poderá dizer a última. Na Doutrina Espírita, não se dirá que Allan Kardec foi ultrapassado, de vez que nossos princípios avançam com o fluxo evolutivo da própria vida e, à maneira do edifício que para crescer não prescinde do alicerce, a Doutrina Espírita não fugirá das diretrizes primeiras, a fim de ampliar-se em construções mais elevadas."

Sabemos que a Doutrina codificada por Kardec é o alicerce sólido, indestrutível, feito para sustentar um número infinito de andares, mas é necessário ter o cuidado de que os andares a serem construídos sobre esse alicerce sejam da mesma qualidade, estrutura e robustez, para suportarem os que forem construídos acima, caso contrário comprometerão todo o edifício. Toda e qualquer prática fora dos preceitos doutrinários é um andar fragilizado, que, com o tempo, ruirá. Compete a nós, espíritas conscientes, a grande responsabilidade de preservar a pureza do Cristianismo Redivivo, e, de forma alguma, a pretexto de tolerância cristã, usar de condescendência para com as deturpações que invadem o Espiritismo!

 Ary Lex, em seu livro "Pureza Doutrinária", alerta-nos:

 "É urgente e fundamental que todos aqueles que tiveram a ventura de entender o Espiritismo lutem, dia a dia, pela manutenção da pureza doutrinária. Que não se omitam. Que não se escondam atrás de um comodismo preguiçoso, alegando que, cada qual tem o direito de adotar a prática que quiser, e que cada qual vive a religião de acordo com seu grau de evolução intelectual. Realmente, não temos o direito de apontar o dedo ameaçador à face dos profitentes de outras religiões e cultos. Eles têm o direito de ter a religião que quiserem e adotar os cultos que bem entenderem. O que não se pode permitir é que, em nome do Espiritismo, se pratiquem atos totalmente condenados pela Doutrina.

“Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora.” (S. João, 1 Epístola, Cap. IV, v. 1)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A PAZ? NÃO, ESPADA


“Não penseis que eu tenha vindo trazer a paz a Terra; não vim trazer a paz, mas a espada; porquanto, vim separar de seu pai o homem, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa.” - (Mateus, cap. X, v. 34 a 36).

Habituados a ler nas páginas fulgurantes dos Evangelhos apenas palavras de brandura e de tolerância, estranhamos quando Jesus muda de diapasão para proclamar que não veio trazer a paz a Terra, mas, sim, a espada.

Jesus Cristo, modelo vivo da docilidade, da bondade e da misericórdia, que apenas proferia palavras de fé, de incentivo, de esperança e de brandura, de um momento para outro passa a externar palavras de sentido revolucionário.

Essa mudança de um pólo a outro parece paradoxal, se não abandonarmos a letra que mata para divisar apenas o espírito que vivifica.

Emmanuel, consultado sobre o sentido daquelas palavras do Nazareno, pontificou: “Todos os símbolos do Evangelho, dado o meio em que desabrocharam, são, quase sempre, fortes e incisivos. Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de contemporização com as fraquezas do homem, mas a centelha de luz para que a criatura humana se iluminasse para os planos divinos. E a lição sublime do Cristo, ainda e sempre, pode ser reconhecida como a “espada” renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração sempre capitaneado pela ignorância e pela vaidade, pelo egoísmo e pelo orgulho”.

Deriva-se dessas palavras do grande mentor espiritual que a espada significa o instrumento renovador que não tergiversa com os erros humanos e nem contemporiza com as falhas voluntárias daqueles que desejam manter o mundo acorrentado a inócuas tradições, vivendo sob a égide da superstição, do medo e do fanatismo.

Se o Messias viesse contemporizar com as nossas falhas descuidaríamos da nossa própria evolução, e passaríamos a aguardar, ansiosamente, que Ele voltasse de novo à Terra, fosse novamente crucificado e “arcasse outra vez com os nossos pecados”, no dizer dos antigos teólogos.

O Mestre não veio para nos livrar das nossas faltas, mas ensinar-nos o caminho para nos livrar delas. Não veio tomar sobre seus ombros os encargos das nossas transgressões, mas indicar-nos, através das palavras edificantes dos Evangelhos, como aprimorar nossas qualidades e nos aproximarmos da perfeição.

Jesus usava de palavras meigas e tolerantes para com os pequeninos e os pobres de espírito, mas também sabia empregar palavras cortantes e incisivas quando se dirigia aos escribas e fariseus hipócritas. A mesma boca que havia prometido a bem-aventurança aos aflitos, aos famintos e aos sequiosos de justiça, verberava acerbamente o procedimento dos fariseus que mantinham o povo na ignorância e no fanatismo. O Mestre que prometia a recompensa aos pacificadores, aos mansos e aos pobres de espírito, também acenava com os rigores dos sofrimentos expiatórios aos falsos mentores religiosos da época “que nem entravam no Reino dos Céus e nem deixavam que os outros entrassem” e que “colocavam pesados fardos nos ombros dos seus discípulos, mas que não ousavam sequer tocá-los com os dedos”.

Deduz-se ainda das palavras do Nazareno que não haverá trégua definitiva para os Espíritos ociosos, tornando-se um imperativo a procura, pelos meios que nos são facultados, da fórmula ideal para levarmos as nossas cruzes, sem os inconvenientes das quedas sucessivas que retardam a nossa ascensão para Deus.

O fogo foi trazido à Terra pelo Meigo Rabi da Galiléia para que os homens se capacitem de que, somente pela luta interior em prol do aprimoramento moral e espiritual, a Humanidade poderá equacionar seus milenares problemas e sair do estado caótico em que se encontra.

Para isso o Evangelho é a solução.



Paulo Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos

quarta-feira, 9 de maio de 2012

CAUSAS ESPIRITUAIS DAS DOENÇAS


Durante muito tempo os portadores de hanseníase – no passado conhecida como lepra – sofreram com o preconceito e a ignorância, quase tão letais quanto à doença que os acometia. Tratados como criminosos, eram vítimas de denúncias anônimas, sendo perseguidos e presos, às vezes a laço, pelas autoridades, que os fichavam no chamado Departamento de Prevenção à Lepra (DPL). Após esse procedimento, eram obrigados a se recolher nos chamados asilos-colônias, afastados das cidades, onde, longe do convívio social, perdiam o contato até com os familiares mais próximos.

Essa dolorosa situação, que parece pertencer a um passado longínquo, é, na verdade, bem recente, sendo registrada no Brasil até a década de 60 como procedimento de praxe da então polícia sanitária.

Hoje, embora encontrada a cura para a hanseníase, sobre seus portadores ainda pesa o estigma do preconceito, fruto da falta de esclarecimento sobre a doença que, apesar de ser infecto-contagiosa, deixa de ser transmissível assim que o paciente inicia o tratamento com a poliquimioterapia (PQT), introduzida nos anos 80. Além disso, pelo que diz a medicina moderna, cerca de 80% da população é geneticamente resistente ao bacilo e nunca vai ser contaminada.

São informações de reportagem da “Revista da Folha”, que publicou, em setembro, matéria assinada por Vinícius Souza e Maria Eugênia Sá, com o título “Da janela para o mundo”, abordando o problema do preconceito que ainda ronda os portadores do bacilo de Hansen.

No livro “Leis de Amor”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, Emmanuel fala sobre as causas espirituais das doenças, oferecendo mais amplas reflexões sobre o tema: “O erro de uma encarnação passada pode influir na encarnação presente, predispondo o corpo físico às doenças? De que modo? - A grande maioria das doenças tem a sua causa profunda na estrutura semimaterial do corpo espiritual. Havendo o espírito agido erradamente, nesse ou naquele setor da experiência evolutiva, vinca o corpo espiritual com desequilíbrios ou distonias, que o predispõem à instalação de determinadas enfermidades, conforme o órgão atingido.”

“Qual a relação existente entre doenças e Justiça”?

- “No curso das enfermidades, é imperioso venhamos a examinar a Justiça, funcionando com todo o seu poder regenerativo, para sanar os males que acalentamos.”

“Todas as enfermidades conhecidas foram solicitadas pelo espírito do próprio enfermo, antes de renascer”?

- Nem sempre o espírito requisita deliberadamente determinadas enfermidades, de vez que, em muitas circunstâncias quais aquelas que se verificam no suicídio ou na delinqüência, caímos, de imediato, na desagregação ou na insanidade das próprias forças, lesando o corpo espiritual, o que nos constrange a renascer no berço físico exibindo defeitos e moléstias congênitas, em aflitivos quadros expiatórios.”

“A mente invigilante pode instalar doenças no organismo? E o que pode provocar doenças de causas espirituais na vida diária?

- A mente é mais poderosa para instalar doenças e desarmonias do que todas as bactérias e vírus conhecidos. Necessário, pois, considerar igualmente que desequilíbrios e moléstias surgem também da imprudência e do desmazelo, da revolta e da preguiça. Pessoas que se embriagam a ponto de arruinar a saúde; que esquecem a higiene até se tornarem presas de parasitos destruidores; que se encolerizam pelas menores razões, destrambelhando os próprios nervos; ou que passam todas as horas em redes e leitos, poltronas e janelas, sem coragem de vencer a ociosidade e o desânimo pela movimentação do trabalho, prejudicando a função dos órgãos do corpo físico, em razão da própria imobilidade, são criaturas que geram doenças para si mesmas, nas atitudes de hoje mesmo, sem qualquer ligação com causas anteriores de existências passadas.”



SEI 1957

terça-feira, 8 de maio de 2012

JESUS E O MUNDO


 “Aquele que se identifica com a vida futura assemelha-se ao rico que perde sem emoção uma pequena soma. Aquele cujos pensamentos se concentram na vida terrestre assemelha-se ao pobre que perde tudo o que possui e se desespera.” O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo 2º — Ítem 6.

 Muitos cristãos-espíritas afervorados às questões imediatas, às quais sentem dificuldades em renunciar, procuram justificar suas atitudes fundamentando-as em bases falsas.

Informam-se vinculados ao espírito do Cristo, todavia...

Gozam, porque o prazer faz parte da vida.

Usurpam, tendo em vista ser a Terra um ninho próprio aos que se nutrem à custa dos menos hábeis.

Exploram, para evitar serem explorados.

Mentem, tendo em vista os fatores circunstanciais.

Enganam, a fim de sobreviverem.

Lutam com todas as armas, já que outros são adversários insidiosos.

Não vêem mal algum “nisto” ou “naquilo”, e definem o espírita como alguém que não tem necessidade de abandonar ou fugir do mundo...

Ajustam a expressão “racional” ao vocábulo “astúcia” e ridicularizam o verbete “místico” como se ele identificasse indignidade.

Pensam no Céu e querem a Terra a qualquer custo.

Tentam conciliação entre Deus e César ao bel-prazer, tirando o melhor proveito para o corpo e a emoção que se desvaira, longe do equilíbrio da mente e da renovação do espírito.

“Viver no mundo sem ser do mundo” — eis a questão.

Aplicar o instrumento do sexo na construção da família, facultando a santificante tarefa da reencarnação às entidades da própria grei espiritual, a quem se vinculou no passado por créditos ou débitos seguros. O sexo é abençoada porta para a felicidade. No entanto, evitar viver para o sexo, considerando os abismos de crime e sombra que a ele se identificam, quando desatina.

Utilizar o dinheiro na execução dos deveres normais, consolidando a alegria na esfera das obrigações próximas e dilatando-o na prática do bem geral, em forma de agasalho, teto, alimento, remédio e segurança para outros espíritos colhidos pelas rudes provações. O dinheiro é veículo de bênçãos. Todavia, poupar-se a viver para o dinheiro, que se faz verdugo de quem a ele se ata, favorecendo imprevisíveis conseqüências.

Motivar o ideal com os estímulos da vida hodierna para que o trabalho se enriqueça de frutos sazonados, edificando para a alegria geral do domicílio da esperança e o abrigo da paz.

Não esperar, no entanto, as motivações fortes da vaidade e do orgulho para criar e agir. A motivação que estimula, faculta o exercício do bem, mas o estímulo que não prescinde de motivos fortes se converte em degeneração por processo danoso.

Cultiva a beleza como expressão de sensibilidade em expansão, favorecendo o asseio e a higiene, o bom gosto e a distinção. Entrementes viver para cuidar de adornos deste ou daquele jaez é desrespeito à vida em flagrante atentado às Leis da harmonia universal.

Não são as coisas em si boas ou más.

Não é o mundo no sentido etimológico.

É o que fazemos com as coisas do mundo e o como vivemos no mundo que importa considerar.

O sexo não é nobre nem degradante.

O dinheiro não é amigo nem adversário.

A motivação não é necessária nem supérflua.

A beleza não é glória nem castigo.

O uso que lhes damos se encarrega de transformá-los em escada de acesso ou rampa de degredo.

A cocaína de tão positivos resultados terapêuticos, por degradação dos costumes é responsável por crimes hediondos.

O átomo aplicado na paz, na movimentação do progresso da Humanidade, é arma ameaçadora em mãos despóticas, que já vitimou mais de uma centena de milhar de vidas.

A palavra que ergue impérios tem levado civilizações ao caos...

Viver no mundo entre as contingências do mundo, mas pensar nas coisas do Alto” e agir consoante os impositivos da Vida Imperecível.

       Aos que pretendem considerar impossível a vida sem os atos esconsos, orgíacos e loucos, tentando conciliar Jesus e o mundo numa aliança utopista, recordamos os que edificaram o Cristianismo nos corações depois do Senhor, com dignidade, e focalizamos o próprio Amigo Celeste que, possuindo o mundo, por tê-lo criado, viveu, entre nós, no mundo e junto às suas tentações, para legar-nos, intemerato, a certeza de que para chegar à paz real é necessário, no mundo, tomar a cruz, depô-la sobre os ombros e segui-lo.

 Joanna de Ângelis

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O EXEMPLO DA CRUZ



 Filhos, o exemplo maior da crucificação deixado pelo Divino Salvador vem-se multiplicando através do tempo.

Há 1978 anos, Jesus escandalizava os homens, deixando-se crucificar com a não apresentação de defesa.

Permitiu que os senhores do mundo falseassem a verdade, para não lhes aumentar a responsabilidade com conhecimentos muito acima de suas capacidades de responder por ela.

Levado, em exemplo único até então, a ser imolado por uma Doutrina de renúncia, humildade e amor pelos seus semelhantes, até o fim, suplicou perdão pelos seus algozes.

O exemplo maior da crucificação, meus filhos, hoje, é multiplicado, por mais estranho que possa parecer. Em diferentes formas, os homens se deixam levar à Cruz, seguindo as pegadas do Divino Mestre. Desde um Paulo de Tarso, de Pedro, Estêvão e outros cristãos do passado, vemos, em vossos dias, irmãos na fé renunciando a todos os bens e posições que o mundo lhes oferece, para aceitarem, com humildade e amor, as tarefas de servir sem serem compreendidos, de amar sem serem correspondidos, de serem caluniados e perseguidos, por causa da Doutrina do Divino Mestre.

São meus filhos, exemplos vivos de vossos tempos. Dentre muitos, citaremos o vosso Bezerra, deixando as riquezas do mundo para aceitar e carregar a Cruz que simboliza o caminho de redenção da Humanidade.

O exemplo da Cruz, meus filhos, não é mais um ato isolado no mundo.

Já são muitos os que se deixam crucificar, em beneficio de seus irmãos, como o fez Jesus.

Este já não mais é um ato isolado. Graças a Deus, há seguidores.

Deus vos abençoe, meus filhos.

MARIA DE MAGDALA.

Página recebida na FEB, no Rio de Janeiro-RJ, em 19-4-1973, pelo médium Olímpio Giffoni..

sábado, 31 de março de 2012

EM TRIBUTO AOS 143 ANOS DO DESENCARNE DE ALLAN KARDEC

Viveu na França do século XIX um homem extremamente estudioso, pesquisador, sensato, culto, poliglota, ético, educador, honesto, íntegro, conceituadíssimo na sociedade francesa e em grande parte da Europa e, sobretudo, possuidor de uma conduta moral ilibada. Esse homem era o professor Hyppolite Léon Denizard Rivail. Dominava os conhecimentos na área da Matemática, da Física, da Química, da Astronomia, da Biologia e foi o autor da mais conceituada Gramática Francesa da época. Foi um dos mais notáveis discípulos de Pestalozzi e tornou-se famoso na Europa pelos trabalhos admiráveis que realizou. Era também muito cético e bastante exigente quanto a tudo o que lhe apresentassem como diferente do senso comum. Nada poderia ser aceito se não passasse pelo crivo da lógica, da razão e do bom senso, fosse quem fosse o autor da idéia. Foi então convidado por uns amigos para assistir a uma reunião na casa de um deles, onde se processavam fenômenos mediúnicos. (Vale lembrar que a mediunidade não é um patrimônio do Espiritismo e já existia há milênios, muito antes da existência da Doutrina Espírita, sendo praticada em vários lugares do mundo, nas diversas camadas da população, independentemente de crença religiosa, já que é uma faculdade humana). Utilizando seu indispensável ceticismo, resolveu pesquisar profundamente os fenômenos e pode comprovar que, de fato, os espíritos dos chamados "mortos" se comunicavam com os "vivos", iniciando aí uma série de contatos e indagações àqueles espíritos, questionando-os dentro do mais absoluto rigor, exigido pelo seu conhecimento científico profundo, sem qualquer sistema preconcebido. Por essa sua seriedade, pelos requisitos culturais, intelectuais e sobretudo morais, foi então escolhido pelos espíritos para organizar em livros os ensinamentos que lhe foram passados, para que a humanidade tivesse conhecimento.

Num ato de extrema grandeza, conclui que os livros não deveriam ter seu nome como sendo o autor, haja vista que se tratava de um nome bastante famoso, o que faria com que a obra fosse vendida pelo autor e não pelo seu conteúdo. Preferiu então adotar um pseudônimo, escolhendo um nome que havia tido em encarnação anterior, que lhe fora revelado por Zéfiro, um espírito amigo. Esse nome fora Allan Kardec. DESENCARNOU NO DIA 31 DE MARÇO DE 1869, EM PARIS, ABSOLUTAMENTE LÚCIDO, EM FRANCA ATIVIDADE, QUANDO, JUNTAMENTE COM SEU EMPREGADO, ARRUMAVA LIVROS NAS ESTANTES DA SUA LIVRARIA, VITIMADO POR UM ANEURISMA CEREBRAL. Sua história mais detalhada pode ser conhecida no livro "O que é o Espiritismo", editado pela Federação Espírita Brasileira. Esse livro é um resumo da Doutrina dos Espíritos. Seu conhecimento mais profundo e detalhado só pode ser obtido com o estudo criterioso de suas obras básicas.





AFIRMATIVAS DOUTRINÁRIAS



FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Somente com a prática da Caridade Material e Moral atingiremos nossa evolução espiritual.

DAR DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBER- Toda ajuda espiritual prestada é absolutamente gratuita; quer sejam: passes, água fluidificada, ou qualquer outro tipo de assistência.

Para a realização de uma sessão espírita não há material nenhum para ser utilizado porque não se usa, nem se recomenda: velas, incensos, imagens, amuletos, talismãs, paramentos, bebidas, fumo, animais, aves, etc. A Doutrina Espírita não admite isso. Como também não realiza nem promove casamentos, batizados e nenhum tipo de sacramento.

SE ALGUM DIA A CIÊNCIA PROVAR que a doutrina espírita está errada em algum ponto; ela se modificará.

O ESPIRITISMO É A DOUTRINA DA FÉ RACIOCINADA.

FÉ RACIOCINADA É AQUELA QUE PODE ENCARAR A RAZÃO FACE A FACE EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE.

CRENÇA na existência de vida humana em outros planetas e possibilidade de reencarnações recíprocas. O Espiritismo é uma CIÊNCIA (de observação) e uma FILOSOFIA de conseqüências religiosas. Como RELIGIÃO difere das demais por não possuir dogmas, rituais, imagens, objetos de culto e sacerdócio organizado.

MORAL - A moral pregada pela doutrina é a contida no Evangelho de Jesus.

NASCER, VIVER, MORRER, RENASCER E PROGREDIR SEMPRE, TAL É A LEI.

Espíritas: amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.( O Espírito de Verdade )

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar sua inclinações más.

O Espiritismo, é a ciência que estuda os espíritos, sua origem, destino e natureza, bem como suas relações com o mundo corporal.

Allan Kardec.

quinta-feira, 29 de março de 2012

CIÊNCIA E RELIGIÃO

 Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, faz judiciosas considerações a respeito da Ciência e da Religião, logo no primeiro capítulo dessa obra monumental.

Assinalando serem a Ciência e a Religião as duas alavancas de que dispõe a inteligência humana para devassar o mundo material e o mundo moral, torna evidente que ambas provêm da mesma fonte – as leis de Deus.

Assim, Ciência e Religião se completam pela origem comum, não podendo haver contradição e antagonismo entre elas.

Entretanto, o que se observa há séculos, no mundo, é a divisão, a incompatibilização dos dois campos do conhecimento, repelindo-se entre si.

A que se deve essa suposta incompatibilidade?

A Nova Revelação trazida pelos Espíritos Superiores à Humanidade aclarou a questão.

Dois são os elementos do Universo – matéria e espírito – ambos criação de Deus.

O Universo material e o Universo espiritual convivem dentro de leis eternas e imutáveis.

O que tem faltado aos homens é a compreensão necessária dos princípios comuns que regem um e outro.

A Ciência, cuidando da matéria, tornou-se exclusivista e materialista, negando-se a tomar conhecimento do elemento espiritual.

Por sua vez, a Religião não pode desconhecer a evidência da matéria e das leis que lhe dizem respeito.

Há necessidade de cooperação mútua, combinando Razão e Fé, Conhecimento e Sentimento, dentro de um Universo unificado.

Até os dias atuais não se tornou possível a cooperação, o entendimento franco e leal entre os cultores dos múltiplos conhecimentos científicos e os arraiais religiosos.

Predomina o espírito de sistema, inconciliável, exclusivista.

A Ciência, de um lado, irredutível no cultivo de suas tradições puramente materialistas, ou positivistas, no sentido de exclusão de tudo que estiver além dos sentidos físicos. E as Religiões presas aos mistérios e à dogmática criados por teólogos cuja visão não consegue romper os horizontes muito limitados de suas crenças tradicionais.

Após séculos de incompatibilidade, a Nova Luz evidencia os vínculos que unem as duas fontes do saber e dos sentimentos que proporcionam o progresso humano.

O Espiritismo, assentando-se nas próprias leis divinas ou naturais, vem aproximar a verdadeira Ciência, que está presente tanto no campo material quanto no espiritual, dos sentimentos simbolizados no coração do homem.

Conhecer e amar, eis os dois alicerces em que se assenta a evolução individual, como de toda a Humanidade.

Acima dos antagonismos, científicos e religiosos, algumas personalidades, em pleno século XX, notoriamente vinculadas aos meios científicos romperam velhos preconceitos e declararam-se convencidas da existência de um Poder criador e orientador de tudo que existe.

São os primeiros passos em direção da realidade imanente, que vai sendo percebida na medida do avanço do conhecimento. Preconceitos e ignorância vão cedendo terreno, pouco a pouco, a idéias e conceitos reais e verdadeiros.

Também as idéias religiosas, que acompanham o ser humano sob múltiplas formas, já cumpriram e percorreram ciclos inferiores de manifestação, de conformidade com as condições evolutivas dos habitantes deste Planeta.

Mesmo o Cristianismo, que trouxe à Humanidade os mais belos ensinos e preceitos morais, não resistiu à inferioridade humana, que o mesclou e o invadiu com dogmas e superstições deturpadores, incompatíveis com a Mensagem do Cristo.

Entretanto, sinais positivos de compreensão e de evolução ocorrem ao fim de séculos de obscurantismo, com o reconhecimento de inúmeros erros e desvios, seguidos da confissão e pedidos de perdão de parte da autoridade máxima da Igreja Romana.

Esse gesto não deixa de ser um sinal de progresso da poderosa Instituição, reconhecendo seus próprios enganos.

Se as religiões assim procedem, é sinal de que a lei divina do progresso atinge a tudo e a todos. Podemos cultivar a esperança de que as religiões e cultos, desviados das leis superiores, expressões da vontade do Criador, retifiquem seus procedimentos, suas doutrinas, suas tradições. O determinismo da evolução é um fato e uma realidade inegáveis, resultante do aperfeiçoamento das idéias.

O mesmo ocorre no campo das ciências.

Conceitos tidos como verdades assentes, aceitas por séculos e milênios, são superados e substituídos por outros, apesar da oposição daqueles que se agarram às tradições.

Por mais poderoso que seja o passado, influindo sobre o presente e o futuro, as idéias evoluem e são substituídas por outras. Quando se descobre a realidade afastam-se as hipóteses e utopias.

Assim ocorreu com a teoria dominante por milênios de que a Terra era o centro do Universo e que o Sol girava em torno dela. Os conhecimentos astronômicos atuais substituíram inteiramente os antigos.

Na Física, as descobertas de Max Planck dão novo sentido à matéria, modificando radicalmente as teorias da Física clássica aceitas por séculos.

A Biologia, a Genética, a Medicina renovam-se continuamente com novos conhecimentos.

O fantástico século XX revolucionou os costumes, os hábitos, as organizações políticas e sociais com inúmeras descobertas científicas e com a aplicação de novas tecnologias nas atividades humanas.

As ciências e as religiões renovam-se sem dúvida, embora lentamente. Só permanecem os conceitos embasados nas realidades e verdades eternas, intemporais, como os ensinos de Jesus.

A Doutrina dos Espíritos, como Nova Revelação, vem ao Mundo em uma época em que grande parte da Humanidade encontra-se em condições de aceitar novas concepções, tanto no campo científico quanto no religioso.

Ela unifica os dois campos, do conhecimento e do sentimento, da ciência e da moral, da matéria e do espírito.

Além disso, o Espiritismo não comete o erro do passado das ciências e das religiões, cristalizando-se em concepções transitórias, com rejeição de novos conhecimentos. Pelo contrário, os Espíritos Reveladores alertaram o Codificador no sentido de que a Doutrina deixasse em aberto a possibilidade de incorporar novos descobrimentos, novas verdades, novas realidades, uma vez comprovados.

Esse caráter evolutivo da Doutrina Espírita, criteriosamente aplicado, sem as precipitações inconvenientes, garante-lhe permanente atualização perante os conhecimentos novos.

Sob a égide da novel Doutrina, a simples crença transforma-se em certeza, a fé conjuga-se à razão esclarecida, os princípios filosóficos são deduzidos dos fatos e não de hipóteses.

No terreno religioso, os Espíritos Superiores não deixaram a menor dúvida de que a Mensagem do Cristo de Deus já trouxera aos homens a moral mais pura e elevada de que se tem conhecimento em todos os tempos, baseada na lei de Amor e Justiça, síntese de todas as leis divinas.

Sobre essa base firme, que representa a Vontade Divina manifestada aos homens, Espíritos Superiores encarnados e desencarnados têm trazido sua contribuição, seja no campo experimental científico, seja no desdobramento ético-moral-religioso que há de constituir a Religião do futuro, para uma Humanidade liberta dos dogmas impróprios, dos preconceitos divisionistas, das superstições e das deduções teológicas eivadas de erros.

Objeta-se, por vezes, que pelo menos algumas das verdades do Espiritismo não são novidades, mas repetições de idéias e pensamentos já conhecidos no passado.

Não há dúvida de que a idéia reencarnacionista, a comunicação dos Espíritos com os homens, a moral do Cristo e outros ensinos da Doutrina vêm de um passado distante.

Essas idéias estão dispersas no Mundo, ora constituindo partes de religiões, ora como partes de sistemas filosóficos individuais.

Sócrates e Platão, Buda, Aristóteles, Immanuel Kant, René Descartes e tantos outros, desde a antiguidade até os dias atuais, têm manifestado suas idéias pessoais que muitas vezes contêm parcelas da Verdade.

O Espiritismo representa uma síntese das Verdades eternas, que são intemporais e que, embora parcialmente, foram vislumbradas por Espíritos missionários encarnados na Terra.

Allan Kardec, inspirado nos ensinos recebidos do Alto, já advertira que a Revelação Espírita tem caráter divino e humano e que muitas de suas verdades, baseadas em antigos conhecimentos, conjugam-se com outros provindos da Espiritualidade, na Era atual.

As comunicações entre os dois mundos sempre existiram. Esse fato está patente em todos os livros sagrados das religiões.

A partir de determinado momento da história humana, após preparo de séculos por precursores, eclode o mundo invisível através de inúmeros seres, que entram em comunicação com os homens.

Toda essa fenomenologia obedece a uma planificação superior, que hoje podemos perceber.

Os precursores, o Codificador e seus cooperadores, a planificação da obra monumental a ser entregue aos homens fazem parte dos desígnios do Governo Espiritual da Terra, em favor de toda a Humanidade.

Estamos convencidos de que esse plano não se resume na manifestação maciça dos gênios espirituais, da qual resultou a Revelação Espírita, superiormente sistematizada pelo missionário Allan Kardec.

Ele se desdobra no tempo para que possa produzir os efeitos desejados pela Providência.

Os conhecimentos trazidos pela Doutrina Consoladora precisam ser difundidos por todas as latitudes do globo terrestre.

Há uma obra gigantesca a ser enfrentada pelos homens, os incumbidos de levá-los a toda parte.

As ciências do mundo precisam das luzes da ciência integral, que abrange os conhecimentos relativos à matéria e ao espírito.

As religiões diversificadas necessitam das certezas proporcionadas pelos

Espíritos Superiores, universais e impessoais, que são aceitas pela razão esclarecida e que independem de dogmas e de imposições para se firmarem no imo dos seres.

Os ensinos do Cristo de Deus, que estão no Mundo há dois milênios, agora serão entendidos na sua essência, que se conjuga inteiramente com a Nova Revelação.

O compromisso dos espíritas sinceros é, pois, em primeiro lugar o de assimilar a Doutrina Esclarecedora e Consoladora e, em segundo lugar, o de vivenciá-la e divulgá-la, multiplicando sua influência como base para a transformação do mundo.

Essa tarefa compete a todos nós, espíritas de hoje e de amanhã, unidos pelo sentimento da legítima fraternidade.

JUVANIR BORGES DE SOUZA

Reformador

domingo, 18 de março de 2012

A MORTE SEM MISTÉRIOS


Por que a morte, sendo tão natural quanto o nascimento, fenômeno corriqueiro ao qual todos estamos sujeitos, sem exceção, ainda é considerada algo sinistro e tão misterioso?

Por que ela é tão incompreendida e causa tanto sofrimento, sobretudo quando surpreende prematuramente nossos entes queridos?

 O Espiritismo veio, em boa hora, desmistificar a morte, mostrando a sua verdadeira face, e, o que é mais importante, veio realçar a importância da vida, demonstrando que ela transcende a questão da sobrevivência. Entretanto, mesmo para os que estudam a realidade além-túmulo, a morte dos entes queridos é algo difícil de aceitar e administrar.

 Isso mostra quanto ainda somos imaturos, espiritualmente, e quanto temos ainda de desmaterializar nossos pensamentos e sentimentos.

Todas as religiões pregam a imortalidade da alma, mas a Doutrina Espírita foi além: comprovou, cientificamente, a imortalidade e resgatou o espírito da matéria, “matando a morte”. Não se trata mais de convicção religiosa. Trata-se de estar bem ou mal informado, pois, sem prejuízo dos princípios revelados pelo Consolador, o Espírito já foi pesado, medido e fotografado por uma legião de sábios, pesquisadores e cientistas de renome, conforme registrado nos anais da História.

Muito da incompreensão e do temor da morte repousa no desconhecimento da natureza espiritual do homem e no desconhecimento do perispírito, este, o invólucro inseparável da alma ou Espírito, elemento semimaterial, fluídico, indestrutível, que serve de intermediário entre o Espírito e o corpo físico. O estudo das propriedades e das funções do perispírito dilata novos horizontes à Ciência e constitui a chave de uma grande quantidade de fenômenos, preconceituosamente negados pelo materialismo e qualificados por outras crenças como milagres ou sortilégios, entre eles a materialização de Espíritos, confundida com a “ressuscitação” ou “ressurreição” dos mortos.

Denomina-se “morte” o esgotamento ou a cessação da atividade vital nos organismos. Nós, os espíritas, chamamo-la “desencarnação”, palavra que designa, com maior precisão, o evento, pois o que se dá, na realidade, é o desprendimento do Espírito ou do princípio inteligente do corpo físico, que a esse se havia ligado por meio do fenômeno encarnatório.

Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, impondo a eles encarnações sucessivas, com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição, gradualmente, pelo próprio mérito. Logo, a evolução se processa por fases, pois não é possível escalar o cume glorioso da plena vitória espiritual sobre si mesmo num só voo. Assim, podemos comparar o mundo físico a uma escola, a um campo de provas para o Espírito. André Luiz afirma:

[...] O Espírito, eterno nos fundamentos, vale-se da matéria, transitória nas associações, como material didático, sempre mais elevado, no curso incessante da experiência para a integração com a Divindade Suprema. [...] (1)



O estágio na carne é o buril que esculpe o aperfeiçoamento do ser. Não é uma excursão de lazer a que somos convidados a gozar, à saciedade, na taça da vida, pois os excessos contribuem para a destruição prematura do corpo físico, equiparando-se a um suicídio inconsciente.

 Com a desencarnação, o corpo grosseiro é descartado, à semelhança de uma roupa imprestável, que se desprende do perispírito e do Espírito, molécula a  molécula. Decompostos os elementos químicos, esses são restituídos à Natureza para serem reutilizados na construção de outros corpos. Sem a veste carnal, o Espírito, em vibração diferenciada, desaparece dos olhos físicos dos encarnados, como se mudasse de residência, mantendo-se intacto e conservando, em outra dimensão apropriada ao progresso realizado, todo o patrimônio de experiências adquiridas.

O corpo é o instrumento do progresso espiritual. A decomposição dele é uma sábia lei da Natureza, sem a qual não haveria renovação e transformação. A encarnação e a morte constituem ciclos na trajetória das criaturas, que permitem o desenvolvimento delas por etapas, o que proporciona, nos intervalos entre uma e outra existência física, a avaliação e a reavaliação das experiências, o planejamento das futuras encarnações, para o recomeço proveitoso de novas provas.

Se a morte fosse a destruição completa do homem (Espírito encarnado), muito ganhariam com ela os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, do Espírito e dos vícios. É uma ideia materialista que repugna o bom-senso e a lógica. A crença de que após a morte física vem o nada, além de anticientífica, é incompatível com a perfeição, a justiça e a bondade do Criador.

A vida na carne é uma constante preparação para a morte.

 Todos sabem que esta é inexorável e pode acontecer a qualquer instante. Apesar disso, raramente valorizamos a existência e quase sempre desprezamos as oportunidades de crescimento:

 A educação para a morte não é nenhuma forma de preparação religiosa para a conquista do Céu. É um processo educacional que tende a ajustar os educandos à realidade da Vida, que não consiste apenas no viver, mas também no existir e no transcender. (2)

 Aqueles que, durante a vida terrena, se esforçarem sinceramente por se melhorar, mesmo errando durante o curso de sua existência, podem aguardar, serenos, a hora de seu retorno para o mundo espiritual, pois verão recompensados seus suores, dores e lágrimas. O Espírito Irmão X (Humberto de Campos) relaciona conselhos muito úteis para os que pretendem morrer bem. Eis o resumo de alguns deles, em forma de decálogo:



1. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais.

 2. Evite os abusos do álcool e do fumo.

 3. Não se renda à tentação dos narcóticos.

 4. Quanto ao sexo, guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo.

 5. Se tiver dinheiro, não adie doações aos que realmente precisem e observe cautela com testamentos, pois a morte pode chegar de surpresa, deixando-o aflito com pendências judiciais perante os familiares.

 6. Não se apegue demasiado aos laços consanguíneos, pois os entes queridos não nos pertencem.

 7. Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É muito grande a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

 8. Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos.

 9. Trabalhe sempre. O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.

 10. Ajude-se, através do leal cumprimento de seus deveres. (3)



Em nossa quadra evolutiva, é normal que sintamos tristeza pela partida, inesperada ou não, dos entes queridos. A lembrança e a saudade geralmente evidenciam o amor que nutrimos por eles, contudo, não devemos nos entregar ao desespero e à tristeza mórbida, sob pena de prejudicarmos o restabelecimento dos recém-desencarnados, pois nossos pensamentos e sentimentos os atingem em cheio.

 Ademais, tal comportamento demonstra o nosso egoísmo pelo apego excessivo aos laços familiares, ou ainda a falta de confiança em Deus, de fé no futuro e na imortalidade dos entes queridos, dos quais, a rigor, nunca nos apartamos, havendo, até mesmo, a possibilidade de nos comunicarmos com eles.

 É realmente consolador haurir a certeza da imortalidade da alma.

 Assimilar esses conhecimentos, adquirir essa convicção eleva a nossa condição de Espíritos, o que nos faz sentir herdeiros do Criador e nos dá mais forças para vencer as dificuldades do dia a dia, permitindo que valorizemos ainda mais a vida.

 A maior prova que damos de que realmente internalizamos as noções imortalistas do ser e da reencarnação é recebermos com resignação e coragem a notícia do passamento de nossos entes queridos.

 Lamentar exageradamente a partida daqueles a quem amamos é falta de caridade, pois seria exigir a permanência deles na prisão do corpo, fustigados por todo o cortejo de provas da existência física, muitas vezes pelo egoísmo de tê-los junto de nós. Saibamos impor silêncio às nossas dores, entregando-nos ao trabalho do bem, que nos dará forças para prosseguirmos no cumprimento dos deveres. Morrer todos os dias para a existência inferior é uma forma de viver a vida eterna, construindo o futuro glorioso que nos aguarda.



Reformador Março 2012



1XAVIER, Francisco C. Obreiros da vida eterna. Pelo Espírito André Luiz. 33. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 19.

 2PIRES, J. Herculano. Educação para a morte. 9. ed. São Paulo: Paideia, 2004. p. 23.

 3XAVIER, Francisco C. Cartas e crônicas. Pelo Espírito Irmão X. 13. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 4. p. 21-24.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A BUSCA DO PRAZER, SUAS LUTAS E SEUS CONFLITOS.


 O ser humano, indiscutivelmente, anseia por encontrar o prazer, ponto original da ambicionada felicidade, a qual merece destaque especial no processo evolutivo do Espírito encarnado.

Ele, o prazer, não deixa de ser um estímulo veemente para a criatura. Tanto isso se constitui numa realidade que, havendo uma frustração diante da busca, costuma-se dizer: “sou um azarado”, “não existe nenhum motivo para eu continuar vivendo”, “o melhor é desistir de tudo”...

Ignoram essas pessoas que a frustração não deixa de ser um item precioso no processo da nossa evolução, pois que, com ela, aprendemos a suportar o insucesso, passamos a perceber que nem tudo depende exclusivamente de nossas atitudes e ambições. Algo, muito além das nossas percepções, dirige nossos dias, nossos momentos...

De modo geral, estabeleceu-se que ser feliz é ter motivos para sorrir, mostrar-se bem-disposto, elegantemente vestido, aparecendo publicamente dentro de um veículo último tipo, preferencialmente estrangeiro, desfilando aprimorada sociabilidade, e por aí vai...

No entanto, atentemos para o fato de que tudo isso pode não passar de uma máscara afivelada à face dessas criaturas, escondendo sofrimentos, inseguranças, incertezas sobre si mesmas diante dos que as cercam.

O prazer tem sido direcionado para atendimentos imediatos onde os gozos mais fortes existam, tais como aqueles divertimentos estimulados pelo álcool, sexo, tabagismo e, naturalmente, as drogas aditivas e alucinógenas, perturbadoras.

Tal estado íntimo, alcançado pelo uso desses ingredientes, leva, é verdade, a diversões variadas, fortes e desnorteadoras, mas não ao real prazer, que pode ser vivido numa leitura saudável, na audição de uma boa música, em conversações agradáveis, numa convivência relaxante, em passeios e caminhadas pela praia ou pela mata...

O falso prazer, no final, exige da pessoa um repouso prolongado para refazimento energético, afetivo. Ele na verdade se perdeu, esvaziou-se de todas as características de gozo real.

O prazer precisa espraiar-se pelo sistema emocional da criatura, ao final dos momentos vividos que lhe deram origem, deixando-lhe sempre aquela sensação de bem-estar psicofísico, que podemos chamar de bem-estar espiritual.

Quantos esforços são despendidos na busca de um prazer, o qual, tão logo seja logrado, estiola-se, afrouxa toda a expectativa do ser, seu ânimo é jogado por terra, instalando-se a insatisfação, a frustração, o desânimo...

Os ilegítimos prazeres multiplicam-se até o grau de extravagâncias e aberrações, violências e agressividades, para substituírem um estado psicológico enfermiço de enfado que predomina em muitos seres, sempre surgindo nos instantes finais de suas buscas, pelo fato de não haverem preenchido, como era esperado, as reais necessidades de bem-estar que felicitam o Espírito empenhado na busca do verdadeiro prazer.

A história humana, de ontem e de hoje, notabilizou-se pela procura de divertimentos que tivessem continuidade, surgindo as lutas cruentas que terminavam em mortes nas arenas. Essas lutas persistem, com suas variações, nelas incluindo-se as lutas de animais sob os gritos dos jogadores que investem largos recursos para a vitória de seus animais “guerreiros”.

Nessas horas de criação de divertimentos, com jogos e violências, a imaginação do homem sempre se mostrou fértil e variável em atrativos, e quanto mais excitantes melhor. Foi aí que as pessoas começaram a perder o senso do prazer, transferindo-se para o divertimento da crueldade, da maldade, da falta de sensibilidade perante a dor do outro.

Hoje, passados séculos, a violência ainda se espraia mostrando uma face enegrecida pela ignorância no que diz respeito ao verdadeiro prazer, aquele tão bem exemplificado pelo Cristo de Deus, Jesus, cuja atuação visava única e exclusivamente o bem-estar espiritual.

Os divertimentos atuais ganham da mídia um excelente auxiliar porque está em jogo o lucro.

O aumento da variedade de divertimentos leva os seus praticantes incautos às fugas psicológicas, à indiferença quanto à dor alheia, à ausência de solidariedade, porque nesses momentos a instalação do egoísmo é temporariamente invencível, deixando, após sua passagem, um rastro de insaciedade, onde não pode, de forma alguma, existir o prazer.

A ignorância com relação ao que o homem é, seu desconhecimento de que a Deus não se engana, é o que leva a criatura desavisada a permanecer num estado de ignorância que não tem limites.

Somente a dor poderá fazer o que o amor não conseguiu. Infelizmente, esta é a grande e iniludível realidade diante dessa busca desenfreada do prazer, do gozo.

Mais do que natural que surjam, agora ou depois, vários,muitos processos conflituados na criatura no íntimo de sua personalidade e no âmago de sua individualidade.

Somente através de uma terapia em que a razão e o bom senso tenham fincado suas raízes profundas, podem ser ofertados àqueles que se encontram nessa faixa de buscar prazeres e gozos fora do quadro real da espiritualização.

Muito esforço ainda será cobrado aos enganados gozadores da vida, até que eles se encontrem, depare-se com o verdadeiro prazer – o espiritual –, e por uma razão muito simples: ele é um Espírito, filho de Deus, criado para a perfeição, portanto, para ser feliz.

Reformador Maio/09